A experiência de Analisa Brum com a criação de uma agência de endomarketing

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 O mercado de agências especializadas em serviços de comunicação é promissor. Para se destacar neste cenário é necessário se especializar e diferenciar. Foi essa a ideia da Relações Públicas Analisa de Medeiros Brum, proprietária da HappyHouse Brasil, agência especializada em endomarketing. Ela conversou com o RP na Rede e contou um pouco sobre sua agência.

RP na Rede: Como surgiu a ideia de montar a agência especializada em endomarketing?

Analisa: Eu trabalhava na área de planejamento e projetos de uma agência de propaganda normal. A maior aqui do Rio Grande do Sul, a Escala. E eu já gostava desse tema de comunicação interna e já escrevia sobre isso. Eu já estava publicando meu terceiro livro sobre endomarketing e tive a ideia de usar o que eu tinha aprendido na agência de propaganda ao longo dos anos, de como deveria ser uma agência de propaganda, e a teoria que eu vinha construído e colocando em livro. E aí eu entendi que se eu criasse uma agência de comunicação interna, uma agência focada só em endomarketing, ela seria a primeira do Brasil. E já nasceria com o posicionamento, da primeira agência de propaganda interna do país. E foi assim que eu tive a ideia.

RP na Rede: Quais são os serviços da HappyHouse Brasil que são mais procurados pelas empresas?

Analisa: Eu costumo dizer que nosso conceito é ser uma agência de propaganda interna com espírito de consultoria. Por que como uma agência de propaganda interna, a gente cria, produz e entrega campanhas. Campanhas, ações, que são caracterizados por materiais. Então a gente fica aqui criando banner, cartaz, cartilha, folder, painéis, adesivos, tudo aquilo que uma empresa usa para se comunicar com seus empregados. As grandes empresas, que tem muitas unidades, que tem milhares de empregados, elas precisam de campanhas, de instrumentos. Então é isso que a gente faz, é uma coisa muito concreta. Mas a gente oferece também, quando um cliente entra, os serviços de diagnóstico, (fazer grupos focais, ouvir as pessoas), planejamento (de processos, de canais, de processos de comunicação interna), a gente oferece pesquisa quantitativa para medir os resultados do processo de comunicação interna, fazemos treinamentos. Agora, por exemplo, agora eu estava viajando porque eu treino lideranças para a comunicação. Então às vezes eu faço um roteiro, uma turnê por vários clientes, ou por várias unidades de um mesmo cliente. Então nós somos uma agência de propaganda interna, mas que faz também, planejamento, treinamento, diagnóstico e pesquisa. Eu costumo dizer que nós somos uma agência de propaganda interna com espírito de consultoria. E quando as empresas nos procuram, elas nos procuram muito mais porque a gente tem essa esse aspecto, essa parte de planejamento, de começar tudo do zero. E muitas vezes, a empresa já tem canais, já faz campanhas, mas ela quer reformular, ou ela quer adequar a estratégia dela, ou tem um novo presidente, ou um novo momento, ou a empresa foi comprada por outra. E ela quer recomeçar, nós somos muito procurados por isso. Eu diria para ti que, 80% das empresas nos procura por causa desse trabalho inicial. Mas essas empresas permanecem conosco ao longo dos anos, e a gente tem aí contratos de 14 anos, desde o inicio, tem contratos de 9 anos, de 6 anos já. As empresas permanecem conosco por causa da agência, por que aí a gente permanece entregando campanhas, criação.

RP na Rede: Que tipo de organização mais tem investido em estratégias de endomarketing?

Analisa: São as grandes empresas, aquelas que têm milhares de empregados e muitas unidades. São as que mais investem. São as que contratam uma agência para fazer um trabalho mais profissional. As pequenas empresas fazem um trabalho mais doméstico, mais efetivo. Mas as grades empresas como eu disse que tem milhares de empregados, que tem muitas unidades. O segmento industrial, as industrias são as que mais investem hoje em comunicação interna.

RP na Rede: Quais foram as mudanças que o crescimento do uso das mídias sociais trouxe para a área do endomarketing?

Analisa: A grande mudança é o perfil do público interno. Hoje, acho até que a gente nem deveria mais dizer comunicação interna, ou público interno, porque nada mais é totalmente interno. Hoje com a ascensão das redes sociais e, em função da intensidade do uso da internet, nada mais é interno. Mudou o perfil do público interno dando muito mais poder, e isso faz com que a empresa tenha que tomar muito mais cuidado com a informação que ela trabalha, que ela coloca nos canais com as campanhas de engajamento que ela faz. Porque tudo pode passar a ser externo em um clique. E outra coisa que mudou é que as empresas têm se munido disso para trabalhar essa imagem externa, para fazer o verdadeiro endomarketing. Que é aquilo que se faz muito bem dentro e que contribui para a imagem externa. Então as empresas têm feito ações, ações hashtag, ações que estimulam os empregados a publicar nas redes. Então foi isso que mudou. As empresas não estão investindo em rede social interna, isso é uma utopia. E mesmo que invista, as pessoas continuam preferindo as externas e não as internas. E é muito perigoso ter rede social interna, porque é muito difícil monitorar o comportamento das pessoas.

RP na Rede: Quais são os maiores desafios da área do endomarketing?

Analisa: Eu acho que o maior desafio na área do endomarketing, é trabalhar com a informação transparente, clara, de qualidade. Eu acho que o produto da comunicação interna e do endormarketing é a informação. Não adianta ter dinheiro para contratar a melhor agência, se o conteúdo, essa informação, muitas vezes é tabu ainda para algumas empresas. Acredito que o primeiro desafio é a conscientização da empresa de que a informação é o grande caminho de aproximação dela com os empregados. A segunda dificuldade é geográfica, as empresas estão cada vez maiores, então fica muito mais difícil chegar nos funcionários, especialmente aqueles que estão na ponta. Então, por exemplo, a gente atende uma empresa que fornece tripulação e navios para a Petrobras. São pessoas que passam 28 dias embarcadas e 28 dias em casa. É difícil atingir essas pessoas, é difícil chegar nelas. Quanto maior a empresa, quanto mais diversificada, mais difícil. O terceiro desafio é de recursos, porque as empresas estão muito focadas em resultados, querendo diminuir custos, querendo ter no ano seguinte sempre um orçamento menor e infelizmente, uma das coisas que as empresas seguram um pouco é o investimento em comunicação interna. Acredito que esse é o grande desafio, das empresas entenderem que não é algo que deva ser economizado, pelo contrário, quanto mais a empresa quiser produtividade, quanto mais a empresa quiser maiores níveis de qualidade, ela tem que investir no seu público interno.

RP na Rede: Que orientação você daria para quem quer ingressar na área do endomarketing?

Analisa: Primeiro é importante dizer que é um mercado em ascensão, é um mercado que só vai crescer. É um mercado que para nós só cresceu. A gente começou a agência com poucos funcionários hoje nós somos 70. A gente começou com três clientes, hoje nós temos 20 e poucos. Tem muita empresa que ainda está descobrindo a comunicação interna e o endomarketing. E aí por outro lado tem pouca gente especializada nisso. Mas quem buscar experiência, especialização, quem ler bastante, quem entender endomarketing como uma técnica, quem entender que as empresas não fazem endomarketing só para fazer as pessoas felizes e sim, para alinhar o trabalho e o pensamento das pessoas à estratégia delas. Quem entender endomarketing de uma forma mais séria, mais concreta, mais voltada para os objetivos das empresas com certeza terá um maior nível de empregabilidade. As áreas de endomarketing das empresas tinham uma pessoa só, hoje já tem 5 – 8 pessoas. Então tem mercado e eu acho que as pessoas devem buscar conhecimento. Se não tem cursos de especialização, é buscar livros, é ler, entender. Eu não tinha onde buscar informação, quando eu escrevi meu primeiro livro em 1994, não tinha nenhum livro no Brasil sobre esse tema. Eu fui pegando as questões de administração de empresas e fui relacionando com a comunicação interna. Acredito que o fato de não ter muitos cursos de especialização, de não ter nos lugares onde as pessoas estão, isso não é desculpa para não buscar informação e se especializar sozinho. Mas tem mercado, tem muito mercado, acho que as pessoas devem se focar nisso sim, vale a pena.

Por: Rafaela Defreyn – Acadêmica do 6º período de Relações Públicas

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