Entrevista com o Bacharel em Relações Públicas Gustavo Canova

Gustavo Canova formou-se no ano de 2010 na Universidade do Vale do Itajaí em Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas. Atualmente trabalha no IPS – Instituto de Pesquisa Sociais. Neste ano começou uma especialização em Comunicação Política e Imagem na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

RPnaRede – Qual a importância da pesquisa para uma empresa?
Gustavo Canova – A pesquisa é uma ferramenta estratégica para as empresas. A dinâmica do mercado exige que as empresas estejam em constante avaliação de seus produtos, estratégias, metas, comportamento do consumidor e dos diversos públicos envolvidos com o negócio da empresa. A alta concorrência entre empresas de um mesmo segmento exige esta postura das empresas, elas precisam estar em busca de informações que orientem os rumos de seu negócio.

A tomada de decisões que envolvam grandes quantias de recursos financeiros de uma empresa precisa ser orientada por informação de qualidade. Neste sentido a pesquisa serve como um alicerce para decisões de negócios fundamentadas e, também, para deixar o momento da tomada de decisão, mais confortável para os gerentes e diretores da empresa, ela assume um caráter emocional para a pessoa que toma a decisão estratégica.

RPnaRede – Como são feitos os balanços dos resultados alcançados?
Gustavo Canova – Cada empresa trabalha as informações da maneira mais adequada ao seu tipo de negócio e objetivos estratégico, mas o que se deve ter como princípio é a avaliação das estratégias enquanto são aplicadas e os resultados alcançados. A aplicação de uma estratégia identificada por meio de uma pesquisa precisa ser novamente avaliada ao fim do processo. Isso não quer dizer que sempre precisaremos estar fazendo entrevistas com consumidores e públicos. Pesquisa não é sinônimo de entrevista. Podemos obter informações para avaliar o nosso negócio de diversas fontes. Por exemplo, a equipe de inteligência ou de marketing de uma empresa identifica em suas pesquisas a oportunidade de lançamento de um novo produto, são feitos grupos focais para levantar as percepções sobre o novo produto, é pesquisado os concorrentes, embalagens, viabilidade econômica, entre outros aspectos importantes. Ao fim do processo não precisamos recorrer novamente ao consumidor para avaliar o produto, o controle do faturamento da empresa já nos dará informações suficientes para avaliarmos a aceitação do novo produto. Mas precisamos estar atentos a como o mercado se comporta, o lançamento de um produto em um período inadequado tem uma grande chance de não obter sucesso.

 RPnaRede – A pesquisa é realmente valorizada dentro das empresas? Por quê?
Gustavo Canova – É e não é. Em empresas de grande porte existem equipes interdisciplinares de pesquisa e inteligência que trabalham oito horas por dia na produção de informações estratégicas, já nas pequenas e médias a quantidade de pesquisas realizadas não é tão expressiva, principalmente na nossa região. Os diretores e gerentes das organizações identificam e compreendem a função estratégica da pesquisa, mas estão tão ocupados em funções administrativas e operacionais que não tem tempo para pensar a estratégia da organização. A pesquisa em si não pode ser bem realizada enquanto se divide a atenção com atender telefones, responder e-mails, e outras atividades rotineiras. A produção de informações exige concentração, dedicação, por isso é tão difícil para as pequenas e médias empresas estarem avaliando o seu negócio. O eu quero dizer aqui, é que existe esta preocupação com a busca por informações, entretanto, os profissionais não têm tempo para dedicarem-se a esta tarefa. Para reverter isto, pode-se recorrer a algumas consultorias para auxiliar na produção de informação. Em Santa Catarina temos bons institutos de pesquisa, consultorias e agências que podem ajudar as empresas a produzirem informações estratégicas.

 RPnaRede – Quais os tipos mais utilizados como ferramenta para o profissional de Relações Públicas?
Gustavo Canova – O Relações Públicas tem de estar atento aos aspectos que envolvem a comunicação, principalmente no relacionamento com os públicos, seja direto ou indireto. As redes sociais devem ser monitoradas diariamente. Precisamos saber tudo o que é dito sobre a nossa empresa, mas isso não se resume a apenas ler os comentários, muito menos um copiar e colar, precisamos classificá-los, analisá-los e arquivá-los para podermos avaliar a evolução dos comentários sobre a empresa e do consumidor, e compreendermos como isso reflete na imagem que o consumidor tem da minha empresa. Precisamos não só observar o que é dito, mas também por quem é dito.

O RP precisa estar de olho também na mídia convencional, só o clipping não basta, é preciso mensurar, produzir informação relevante com esse material. Outros canais mais diretos precisam de uma atenção maior, como blogs da empresa, intranet, SAC, e diretamente com os consumidores e outros públicos da empresa. A comunicação é um prato cheio para fazer-se pesquisa. Se o profissional de RP trabalhar em conjunto com a área de marketing tem-se uma ganho imenso na produção de informação estratégica.

 RPnaRede – No gerenciamento de crise cabe a aplicação de alguma pesquisa? Por quê?
Gustavo Canova – Antes de se iniciar a comunicação em um momento de crise deve-se ter conhecimento de como está a imagem da empresa e o que o público está pensando sobre a crise e sobre a empresa, para que a comunicação seja mais eficiente na utilização de suas ferramentas. Entretanto as crises são emergenciais, deve-se sempre observar o tipo de crise e a evolução que ela pode ter, e aí realizar pesquisas com os públicos envolvidos.

 RPnaRede – Quais as dificuldades na aplicação de uma pesquisa?Gustavo Canova – A aplicação de uma pesquisa não tem muita dificuldade, mas é preciso estar atento a aspectos metodológicos para que não ocorram vieses na produção dos dados. O pesquisador precisa estar muito bem treinado para não deixar que a sua presença em campo se torne um viés e influencie na obtenção das respostas dos informantes. Esse é um aspecto básico que se deve tomar cuidado, mas existem muitos outros, desde a organização das perguntas do questionário até inserção dos dados no sistema. O que se deve ter como regra é atenção durante todo o processo.

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