Como Bono construiu uma marca pessoal invejável

Saiba por que o rockstar tem hoje a reputação que lhe rende respeito na música, nos negócios e na política.

São Paulo – Paul David Hewson nasceu em 10 de maio de 1960, na cidade irlandesa de Dublin. Desde o final dos anos setenta, porém, seu nome quase não é pronunciado. Foi nessa época que o engajado líder da banda U2 adotou o pseudônimo artístico Bono Vox, depois reduzido a apenas Bono. O codinome é usado mesmo pela família e pelos amigos mais próximos para se referir ao cantor.

Bono tem hoje trânsito livre com importantes líderes mundiais e é figura confirmada nos encontros do Fórum Econômico Mundial, em Davos. Entre outros títulos, sua imagem pública já lhe rendeu mais de uma indicação ao prêmio Nobel da Paz e a nomeação como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time.

Reconhecidamente um dos artistas mais filantropos do mundo, foi principalmente no ativismo social que Bono mais engajou sua imagem. Apoiado no sucesso alcançado pelo U2 e no poder de influenciar grandes públicos com a música, o rockstar iniciou um verdadeiro recrutamento de aliados entre líderes de governo, instituições religiosas e organizações filantrópicas, acionando inclusive grandes marcas no mundo dos negócios para campanhas sociais.

Em 1984, o U2 participou do Band Aid e do Live Aid, concertos que arrecadaram fundos para combater a fome na Etiópia. Anos depois, Bono juntou-se ao movimento Jubilee 2000, que pretendia pressionar países ricos a perdoarem a dívida externa de 52 nações. O músico é ainda um dos fundadores da ONE, organização de combate à pobreza, e também co-fundador da DATA, uma ONG de combate à Aids, à fome e à corrupção no continente africano.

“Tudo isso torna o discurso de Bono muito consistente”, explica Marcos Hiller, coordenador do MBA Gestão de Marcas da Trevisan Escola de Negócios. “Quando falamos em construção de marca, falamos em longo prazo porque é um trabalho cirúrgico, que demora anos. O Bono é um artista politicamente correto, casado com uma pessoa que foi sua namorada no colégio, que fala por causas sociais desde a década de 80 e lidera uma banda ativa há muito tempo sem brigas. Isso conta”, acrescenta Hiller.

De acordo com Leonardo Araújo, professor de marketing e pesquisador da Fundação Dom Cabral, Bono tem o mérito de conversar com vários stakeholders, e não apenas com os fãs da banda: “Ele fala com pessoas da comunidade, com políticos, e começa a construir um conceito de reputação a partir disso, coisa que ele jamais conseguiria se não tivesse uma imagem forte e consistente, amparada nas suas atitudes”.

Fonte: http://exame.abril.com.br

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