Nossa cegueira para o óbvio na comunicação empresarial

Em diferentes empresas, de diversos portes, no Brasil e no exterior, a queixa parece ser sempre a mesma: a informação não circula, as pessoas não se comunicam adequadamente, os líderes não compartilham as decisões da empresa, as equipes não se ajudam, há dificuldade em compreender o que se espera de cada um no dia a dia, não há feedback nem disseminação dos rumos da empresa.

Pesquisas de clima organizacional apontam isso com frequência assustadora. As empresas sabem que o problema existe, criam campanhas internas, estabelecem processos, contratam consultorias para resolver. E depois de um tempo a coisa simplesmente não vinga. Por quê?

Por que existem falhas de comunicação mesmo entre pessoas imbuídas de boa vontade para trabalhar juntas? Que fatores culturais, psicológicos ou profissionais levam equipes pequenas e grandes a não se entenderem?

O primeiro ponto é que temos a tendência a acreditar que cabe ao ouvinte entender o que estamos dizendo, nos eximindo da responsabilidade de passar uma mensagem clara. (Esse vídeo exemplifica bem essa situação).

Isso é bem marcado nas culturais orientais, em que a hierarquia é tão rígida que um co-piloto, por exemplo, não ousa contrariar o piloto ou mesmo alertar de forma explícita que há um problema na aeronave durante o voo. Quando fala, é sempre sugerindo, não em tom de alerta e muito menos de veemência – por medo de levar bronca do tipo “com quem você pensa que está falando?”. Essa é uma das principais causas de acidentes aéreos no mundo : falha ou ausência de comunicação.

Problemas não desaparecem só porque você não fala sobre eles. Ao contrário, só tendem a piorar e gerar frustração, e podem se tornar verdadeiramente críticos.

O medo de manifestar suas opiniões é fruto da postura dos líderes. Se a liderança é exercida por carisma e respeito aos demais, a probabilidade de os subordinados se sentirem mais confortáveis e estimulados a participar é bem maior.

Agora, é claro que a comunicação não acontece simplesmente porque temos boca e ouvidos. Um pouco de cuidado com o que e como falar ajuda:

  • Cada pessoa entende uma mensagem de maneira diferente. Para evitar erros de interpretação, seja claro, não deixe nada subentendido.
  • Certifique-se que o outro entendeu. Pergunte. Esteja aberto para ouvir outros pontos de vista. Quando forem conflitantes com o seu, mantenha a calma e use o bom senso para argumentar. Se o clima esquentar, melhor dar uma volta e deixar a discussão para depois.
  • Existem maneiras e maneiras de dizer alguma coisa. Diga o que precisa ser dito de forma objetiva, mas sempre com respeito e delicadeza.

Muitas empresas acreditam que basta ter um jornal mural ou uma newsletter interna para que todos os funcionários se sintam participantes e bem informados. Doce ilusão. Se o conteúdo não for pensado sob o ponto de vista do funcionário, ele nunca se sentirá incluído, e terá a tendência a se afastar da informação “chapa branca”.

Portanto, quando for planejar a comunicação interna da sua empresa, tenha em mente o tipo de público, os anseios e os interesses de cada um, adaptando o conteúdo e a linguagem para que a informação torne-se relevante e útil. A decisão sobre quais canais usar vem a seguir, de acordo com o perfil de cada público. E pode ser desde um veículo impresso até um momento de conversa informal com a equipe.

Quando se cria uma verdadeira cultura de comunicação, esta passa a ocorrer naturalmente, pois as pessoas se sentem livres e interessadas em contribuir para o progresso da empresa e de todos que nela trabalham, gerando um autêntico senso de pertencimento e orgulho.

Fonte: http://exame.abril.com.br

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