Relações Públicas e a histórica posse da Dilma

Mulheres, nossa fonte de vida. Essenciais para harmonia do mundo e ao mesmo tempo, frágeis e guerreiras. Mulheres sofrem de preconceitos milenares. Na Grécia Antiga só serviam para procriar. Na Bíblia, sua primeira aparição refere-se à que trouxe o pecado original, mas se Adão não quisesse não teria comido o fruto proibido oferecido por Eva. Lógico que nada neste mundo seduz mais que uma mulher, mas neste caso a primeira mulher da história carrega um fardo sem precisar. Um pequeno devaneio sobre a mulher só para dizer que só agora estão chegando a lugares onde sempre deveriam estar. Como a Presidência da República. Algo que acho muito importante, já que no livro Como sobreviver em contextos Vulneráveis: As Relações Públicas como Estratégia de Relacionamentos, l

 A posse da Dilma, a primeira mulher a ocupar o cargo máximo do Poder Executivo, quebrando diversos paradigmas, trouxe a possibilidade de conhecer o trabalho de outra mulher: Juliana Rebelo. Seu nome completo? Juliana Maria Guaracy Rebelo. É Diretora da Secretaria de Relações Públicas do Senado Federal, onde atua desde 1998.

Versátil RP entrou em contato com ela, com auxílio de Gilceana Galerani e Márcia Yamaguti e entrevistamos, confiram.

1.   Oi, tudo bem? É um imenso prazer conversar com a responsável talvez pelo maior evento da recente democracia, a posse da Presidenta Dilma. Como foi a sensação de sensação de chefiar este evento e ainda ser a “dublê” de dela na revista ao exército e no Rolls Royce presidencial?

JR – A sensação de fazer a coordenação executiva do evento é a de extrema responsabilidade, por se tratar de cerimônia tão significativa para todo o País e realizada de 4 em 4 anos, envolvendo não só todo o Senado e a Câmara dos Deputados, mas ainda outras instituições do Poder Executivo, como o Ministério das Relações Exteriores, as Forças Armadas e a equipe de transição do Palácio do Planalto.

2. Em uma sociedade machista, como é a brasileira, como à senhora enxerga o fato de cada vez mais mulheres conquistarem este espaços em cargos importantes?

JR – Vejo como uma conseqüência natural da evolução do papel da mulher em todas as esferas: familiar, social e profissional. Tendo acesso a condições semelhantes de educação que o homem, a mulher tem as mesmas condições de sucesso. Entretanto, sabemos que, apesar de igualmente qualificadas, as mulheres estão em menor número nos cargos de topo de carreira, embora predominem em funções de nível médio nas instituições públicas e empresas privadas. É um momento histórico para nós, brasileiras, a eleição da Presidenta Dilma Rousseff, e espero ter contribuído com meu trabalho para tornar o momento da posse no Congresso, em que ela efetivamente se torna a Presidente do Brasil, inesquecível.

3.   E como foi para a senhora chegar a Diretoria de Relações Públicas de um órgão tão importante como o Senado?

JR – Foi um orgulho para mim ter sido convidada pelo então Secretário de Comunicação Social do Senado para ocupar este posto. Embora tenha feito concurso para Relações Públicas, sou também jornalista e, na ocasião, trabalhava como assessora do Secretário em sua dupla função de diretor da Secretaria de Comunicação Social e assessor de imprensa do Presidente do Senado. Fiquei surpresa, por estar fora da área na época, mas foi com alegria que voltei para as Relações Públicas, onde, há cinco anos, tenho o privilégio de coordenar uma equipe muito competente e dedicada.

4.   Como foi sua escolha para estudar Relações Públicas? E depois fazer jornalismo e logo em seguida, cinema? As Relações Públicas têm que ser versáteis?

JR – Sempre quis trabalhar como Relações Públicas e durante o curso percebi que o jornalismo iria aperfeiçoar o meu perfil profissional. Já o cinema sempre foi uma paixão. Sou cinéfila desde adolescente e na época da Faculdade, em Minas, me enturmei com o pessoal que fazia cinema e acabei participando da última produção do Pólo Mineiro da Embrafilme, antes da extinção do órgão no governo Collor. Quando fui passar um tempo em Paris, me matriculei na Sorbonne para estudar Cinema.

Acho que a versatilidade é sim um traço desejável para o trabalho de Relações Públicas, na medida em que pode enriquecer o planejamento e a definição de estratégias, bem como a atuação em momentos de crise.

5.   Conte-nos sobre sua entrada na área governamental?

JR – Quando voltei da Europa, fui trabalhar como Assessora de Comunicação no Governo de Minas. Ao mesmo tempo me enveredei na carreira de empresária de gastronomia, que acabou me tomando todo o tempo, então pedi exoneração do Serviço Público para me dedicar ao meu negócio. Eventualmente comecei a sentir falta de trabalhar na área e, ao tomar conhecimento do concurso do Senado, me inscrevi. Me atraíram o salário, a oportunidade de morar em Brasília e a curiosidade a respeito do trabalho que poderia desenvolver.

6.   Qual a importância das Relações Públicas no Senado?

JR – As Relações Públicas do Senado têm uma função estratégica de relacionamento e aproximação com públicos diversos que interagem com a Instituição, seja através de Programas como o “Visite o Congresso”, que já recebeu mais de 1 milhão e 300 mil cidadãos, o  que realizamos anualmente com cerca de 17 mil escolas de todo o Brasil, ou realizando uma média anual de 150 eventos institucionais, entre seminários, sessões especiais e solenes (como foi o caso da posse presidencial), lançamentos de livros, exposições, etc.

7.   No último semestre, tivemos a matéria de RP Governamentais e aprendemos como compor uma Mesa de Honra, Ordem de Precedência, entre outros. Na teoria foi uma matéria difícil. Já passou pela situação de alguém que não deveria compor mesa fazer pressão para estar nela? Como conduzir em uma situação assim?

JR – A composição da Mesa deve ser acertada com antecedência para evitar este tipo de problema. Entretanto, se ele acontece, devemos ponderar com firmeza, mas delicadamente. Se nada der certo e na iminência de uma “saia justa” perceptível para a audiência, deve-se consultar o Presidente da Mesa para uma eventual decisão “política”.

8.   Qual o tamanho e as formações da equipe de Cerimonial do Senado? Como a equipe se divide para a organização de um evento como a posse de Dilma Rousseff?

JR – No Senado, o Cerimonial é ligado diretamente à Presidência, atuando no acompanhamento da agenda do Presidente dentro e fora do Senado, incluindo as visitas de Chefe de Estado ou de Governo à Casa, bem como organizando as recepções e compromissos de trabalho que acontecem na Residência Oficial do Presidente do Senado. Não conheço em detalhes a estrutura administrativa do Setor, embora seja um parceiro constante das Relações Públicas, que estão subordinadas à Secretaria de Comunicação Social. Aqui somos cerca de 35 profissionais, entre relações públicas e servidores da área administrativa, divididos em 3 Coordenações: Eventos, Visitação e Comunicação Institucional. Todos se envolveram na organização da posse da Presidenta Dilma.

9.  Que outras cerimônias de grande porte (como essa da posse da Presidenta) a senhora já conduziu no Senado ou em outra instituição?

JR – Anualmente realizamos a Abertura dos Trabalhos Legislativos, em que há todo um cerimonial militar, com revista às tropas mistas pelo Presidente do Congresso, e a cada 4 anos realizamos também, além da posse do Presidente e do Vice-Presidente da República, a posse dos novos senadores eleitos. Também a cerimônia de premiação do Concurso de Redação, que organizamos há 3 anos, junto com a solenidade do Dia da Bandeira, é um grande evento, com a presença dos finalistas do concurso de todo o Brasil e ainda de centenas de estudantes de Brasília.

10.  Como um profissional de Relações Públicas trabalha quando surge uma crise no Senado?

JR – A Secretaria de Relações Públicas do Senado está apta a dialogar com os cidadãos sobre todos os assuntos através de nossas atividades e programas, evidenciando a importância do Poder Legislativo e seu papel institucional. Não estamos, porém, em nível organizacional, em posição de definir a linha de atuação da Casa ou dos parlamentares em situação de crise.

11. Como deve proceder um profissional de Relações Públicas num ambiente que convive com a imagem da corrupção e da falta de ética?

JR – Como abordei no item anterior, contribuindo para o exercício pleno da cidadania por meio de um relacionamento permanente, interativo e de confiança com nossos públicos, de modo a ampliar a participação da sociedade no processo político e esclarecendo sobre a importância do Parlamento para a democracia e a melhoria de vida dos brasileiros.

12.  Quais os caminhos para quem quer atuar como RP na área governamental? Qual a maior habilidade que temos que ter para trabalhar no setor?

JR – Após a graduação em Relações Públicas, buscar uma oportunidade de trabalho em setor compatível em um órgão governamental, de preferência através de concurso público, que garante mais estabilidade. Outra alternativa é tentar uma posição em empresa privada que atue na área de relações governamentais. As habilidades necessárias são as de um bom profissional de RP, com ênfase em relacionamento interpessoal.

13.  Como é a rotina, o dia a dia de um profissional de RP no Senado?

JR – Muito movimentada, pois além das muitas iniciativas planejadas por nós, são acrescidas outras demandadas pela Casa e pela atividade legislativa.

14. Para finalizar, gostaríamos que deixasse uma mensagem para os estudantes que gostariam de trabalhar com Relações Públicas Governamentais.

JR – Às qualidades exigidas para atuação em qualquer setor, deve-se acrescentar o acompanhamento diário das atividades político-partidárias e da atuação do Governo.

A equipe do Blog Versátil RP agradece imensamente sua atenção e sua cordialidade!

Fonte: http://versatilrp.wordpress.com

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