Relacionamento nas Empresas: Como Administrar?

Relacionamento. Vai dar namoro!

“Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor” – Madre Teresa

Quando Graziela Alvez se viu vestida de noiva a caminho do altar, não conseguia esquecer que, pouco tempo antes do casamento, teria de desistir do sonho de comemorar a união com uma festa linda. Ela e o marido, Givanildo da Silva, conheceram-se trabalhando no Laboratório Sabin, em Brasília, DF. Quando finalmente resolveram se casar, estavam sem condições financeiras para fazer uma grande festa. “Só tínhamos dinheiro para o cartório. Era o meu sonho e eu teria que abrir mão. Foi quando uma ex-supervisora minha perguntou se o laboratório não poderia fazer uma festa pra gente. E eles toparam”, conta, empolgada.

 

Graziela e Givanildo não se casaram em uma igreja, mas sim nas dependências da empresa. “Primeiro, a gente achou engraçado comemorar no Sabin, mas a festa foi linda demais e muito emocionante”, detalha. Na realidade, esse foi o quinto casamento de colaboradores celebrado nas instalações do Sabin. A superintendente de RH da empresa, Marly Vidal, explica que o laboratório sempre valorizou a formação da família e, por isso, dá tanta importância para o casamento. A política da empresa é de não proibir o relacionamento entre funcionários. Aliás, segundo Marly, isso seria praticamente impossível: “A faixa etária média de nossos colaboradores é de 28 anos e 72% deles são mulheres. Então, quando um homem entra na empresa, geralmente é casamento na certa”. A única restrição é quando um é líder do outro. Nesse caso, a empresa transfere um dos dois para outra unidade.

 

Para Marly, o namoro entre colaboradores não atrapalha o rendimento no trabalho: “Quem está apaixonado rende mais, porque está de bem com a vida. E essa felicidade se transfere para o trabalho”. Marly explica que o RH sempre acompanha os funcionários apaixonados para que a imagem de nenhum dos dois seja exposta diante dos colegas. “É mais uma conversa para administrar o relacionamento dentro da organização, quando, por exemplo, um dos dois recebe um feedback negativo e o outro pode achar ruim e ‘tomar as dores’. Explicamos como eles devem lidar com isso. As pessoas são muito abertas às nossas dicas e administram o relacionamento muito bem”, destaca.

 

Quando o líder se apaixona

 

 “Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido” Vinícius de Moraes

 Outro casal que se conheceu no trabalho foi Regiane Lemes e Alan dos Santos. Os dois são funcionários da Procópia, em Lages, SC, e moram juntos há quase três anos. Regiane achou Alan muito bonito e íntegro desde a primeira vez que o viu, mas, como ele era comprometido, não foi correspondida. Algum tempo depois, Alan terminou seu antigo relacionamento, porém, a essa altura, Regiane já não estava mais tão interessada. Foi quando o cupido resolveu dar uma atenção especial para o casal e num jantar com um grupo de funcionários acabou “pintando um clima”.

 

O namoro evoluiu e a empresa aceitou bem o relacionamento. “Fomos contar para nossos patrões e, como eles já nos conheciam, deram um voto de confiança”, diz. O grande detalhe no relacionamento dos dois é que Regiane comanda o departamento que é responsável pelo setor de Alan. Logo no início do namoro, os colegas acharam que isso poderia ser motivo de concessões e vantagens especiais entre líder e liderado, o que não aconteceu. “Eles ficaram enciumados, mas procurei continuar meu trabalho normalmente e o ciúme passou”, lembra Regiane. Para evitar qualquer tipo de problema, o casal deixa bem claro nas reuniões da empresa que não existe qualquer tipo de benefícios para ninguém. “Se eu precisar cobrar dele, vou cobrar normalmente”, argumenta.

 

Para Waleska Farias, coach e consultora de gestão de carreira e imagem, o relacionamento entre líder e liderado é mais complicado e pode comprometer o trabalho, porque o líder não é gerente apenas do funcionário com quem está tendo um relacionamento, mas de um grupo. “Quando vem uma situação de promoção, pedido de dispensa ou comissionamento diferenciado, fica difícil ser isento. Pode esse líder preterir a pessoa para que qualquer favorecimento não seja motivo de comentário ou promovê-la e se tornar refém dos comentários do grupo”, afirma.

 

De acordo com Homero Reis, consultor, coach e especialista em RH, os cargos não são e nunca foram impeditivos aos processos afetivos. O que se deve ter em mente é que as relações funcionais podem ser hierárquicas ou não. “Conviver com isso revela um estado de maturidade emocional. O que se espera da gestão organizacional é que as pessoas sejam maduras o suficiente para viver uma situação dessa maneira”, completa.

 

Esconder o relacionamento funciona?
“Amor e tosse, impossível ocultá-los” George Herbert

 

Roberta Sampaio e Emerson Schelenskitrabalham como jornalistas da Record em Blumenau, SC, e se conheceram quando ela entrou na TV como repórter. Na época, ele tinha acabado um relacionamento de três anos e Roberta estava um pouco desiludida com o amor. Foi quando um casal de amigos começou a incentivar o relacionamento. “Eles falavam que o Emerson estava interessado em mim e faziam o discurso na mesma linha para ele. Só que eu não estava interessada nele e nem ele em mim. Mas, devido a esse ‘leva e traz’, comecei a olhá-lo com outros olhos”, diz.

 

No início do namoro, apenas o casal-cupido ficou sabendo do envolvimento, os outros colegas foram recebendo a notícia aos poucos. O líder direto dos dois também soube do caso desde o início. O casal nunca sofreu qualquer tipo de repreensão ou repulsa por parte da empresa. “Escondemos um pouco no início por precaução da nossa parte”, assegura.

 

Segundo Waleska, muitas pessoas optam por esconder o relacionamento no início, o que não se pode recriminar. Nesses casos, os envolvidos devem apenas agir com coerência, evitando sair de mãos dadas, trocar mensagens por celular ou via programas de bate-papo. Aliás, esse tipo de atitude deve ser evitado mesmo quando todos na empresa sabem do caso.

 

No entanto, ela ressalta que os colaboradores, se trabalharem em uma empresa que declaradamente proíbe o namoro entre os profissionais, devem ter ética para contar ao líder. “Essa proibição acontece muito em instituições financeiras: você pode namorar alguém da empresa, mas não da mesma célula de trabalho. Só que ninguém está livre de se apaixonar. Nesse caso, tem que avisar o líder e perguntar como agir no momento. Muitos são transferidos, quando possível, e outros acabam saindo da empresa”, afirma.

 

Regras claras sempre

 

“O mais irritante no amor é que se trata do tipo de crime que exige um cúmplice” Charles Baudeleire 

Para Homero Reis, “a melhor atitude do líder diante de situações de envolvimento entre seus liderados é, primeiro, ter regras organizacionais claras; segundo, garantir que todos tenham ciência das regras e normas e, em terceiro lugar, manter a situação em clima de normalidade”. Quando Edinéia Rauta e Bruno Pagani, que trabalham na Fábrica de Comunicação, em Florianópolis, SC, começaram a sair juntos, ela logo resolveu contar para a coordenadora de assessoria de imprensa e produção, líder direta dos dois, sobre o que estava acontecendo.

 

“Eu não sabia se ia durar, mas não quis arriscar. Ela aceitou numa boa e apenas orientou para agirmos como amigos dentro da empresa”, comenta.

 

A regra de agir como amigos foi levada realmente a sério pela dupla, que nunca trocou um único beijo no ambiente de trabalho. “Acho que conversar normalmente pode, mas ficar de chamego, beijos e abraços não”, esclarece. O casal não vê problema algum em seguir a recomendação da líder: “Acreditamos que isso passa credibilidade e confiança. Sempre deixamos claro que ali dentro somos profissionais”.

 

Para a coach Waleska Farias, além de deixar clara a posição da empresa quanto a relacionamentos, o líder deve esclarecer também sua opinião sobre o assunto. “Pode ser que ele não se sinta confortável em ter que fazer escolhas entre os dois funcionários envolvidos, então, se for possível, é bom transferir um dos dois, evitando que tenham a mesma gerência”, completa.

 

Se a paixão acontece

 

“Tão bom morrer de amor e continuar vivendo” Mário Quintana

 

 Quando o coração bate mais forte, não tem como evitar. O frio na barriga e a vontade de se ver novamente vão e voltam a todo o momento. E aí, como agir? Já que todos estão sujeitos a um relacionamento no trabalho? É por isso que os líderes devem deixar bem claro quais são as regras da empresa. “Eles até podem proibir relacionamentos, mas será que é efetivo? A experiência mostra que não”, afirma Homero Reis. Então, o melhor mesmo é gerenciar a situação para que não existam ciúmes entre os colegas e todos sejam tratados da forma mais isenta e imparcial possível.

 

4 dicas para não deixar o relacionamento interferir no trabalho e vice-versa:

 

1. “No ambiente de trabalho, tratem-se sempre com profissionalismo, sem isenção, cobrando resultados quando for necessário.” (Regiane e Alan)
2. “Saiba se respeitar e respeitar o local de trabalho. Não é legal levar questões ou problemas pessoais para lá.” (Roberta e Emerson)
3. “O ponto crucial é ter liberdade, cumplicidade e parceria. Como estamos quase 24 horas por dia juntos, é preciso ter liberdade em determinados momentos.” (Edinéia e Bruno)
4. “É preciso ter estrutura para separar o lado pessoal do profissional. Quando você confia na pessoa, os problemas pequenos não atrapalham o relacionamento.” (Graziela e Givanildo)

 

 

Fonte: Revista Lderança por Daiane Schmitt – 01/06/2010

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Dica:
http://twitter.com/sidneioliveira

 

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