Falar em público – ai, que medo

 

 

Imagine a seguinte situação: você está no centro do palco, de frente para uma platéia de 200 pessoas compenetradas e atentas, quando advém o silêncio total após alguém te apresentar e anunciar a sua palestra. Agora é com você! Só de pensar, parece que já dá para sentir o friozinho na barriga, o suor escorrendo,

Leny Kyrillos

a voz saindo trêmula, denunciando o nosso desconforto, o nosso nervosismo.

Falar em público não é confortável para ninguém! Aliás, uma pesquisa internacional apontou o medo de falar em público como o segundo medo mais frequente no mundo! Só perde para o medo de morrer. Por que será que isso acontece? Falar em público nos coloca em duas condições difíceis: em primeiro lugar, ficamos absolutamente em evidência, expostos totalmente. Todas as atenções estão sobre nós. Em segundo lugar, estamos sendo avaliados. Atrair os holofotes e ainda se submeter a uma nota… Mexe com qualquer um dos mortais, sem dúvida! Porém, muitas vezes, teremos que nos confrontar com esse tipo de situação. Falar em público representa também uma ótima oportunidade de nos tornarmos conhecidos, de apresentarmos nossas idéias, o nosso trabalho. Hoje não dá mais para nos escondermos, para evitarmos esse tipo de situação, que também propicia inúmeras vantagens!
Vamos, então, procurar tirar proveito e obter o melhor resultado. A primeira coisa que devemos pensar é que não estamos sozinhos. Essa ansiedade é natural, é frequente e tem o lado bom de nos manter mais atentos, com as percepções aguçadas e a memória mais afiada. Mas também com as pernas bambas, com certa taquicardia, com sudorese intensa… O estresse da fala em público atinge nosso sistema límbico, parte do sistema nervoso que não obedece ao nosso comando. Portanto, não adianta tentar lutar contra esses efeitos! Aceite que essas reações são naturais, siga adiante.
Depois da “descarga inicial“ do sistema límbico, o nosso córtex cerebral é acionado e aqui a coisa pode mudar de figura. É aí que acontece a fase de interpretação e essa depende da nossa vontade! Se ao me sentir tensa eu interpretar a situação como de ameaça, a tendência é que os sintomas negativos se acentuem. A voz vai tremer, eu vou parecer confusa… E todos vão perceber! Se eu interpretar a situação como um desafio, e a minha reação como normal, considerando que eu estou bem preparada, a tendência será de supressão gradativa dos sintomas, já que o córtex cerebral atua sobre o sistema límbico, interrompendo o processo. Interessante, não é?
Agora, não adianta eu querer me sentir no controle da situação… Se não houver uma ótima preparação anterior! Toda situação de exposição em público deve ser cuidadosamente organizada. É fundamental eleger o tema, as mensagens principais, considerar o nosso público, adequar a linguagem, buscar exemplos e cases para ilustrar, preparar um bom material audiovisual, estudar e dominar o conteúdo, os pontos fortes e fracos do discurso e da minha comunicação… Sem dúvida, quanto mais eu me preparo, melhor eu lido com a situação de exposição. Além disso, algumas dicas práticas ajudam lá na hora.
Atente para a sua respiração logo antes de ir falar. Solte o ar, contraindo o diafragma, inspire profundamente e repita duas, três vezes. Alongue-se! Rode os ombros para trás, movimente a cabeça para os lados, para frente… Solte o rosto, abra e feche a boca, os olhos. Espreguice-se! Leve um bom copo de água e tome pequenos goles durante a apresentação. Além de se manter bem hidratado, já que a adrenalina resseca a garganta e o ar condicionado também, deglutir relaxa a laringe. Capriche na abertura da boca ao falar, articule bem, passando a idéia de segurança e domínio da situação. A platéia saberá identificar esses sinais, reagirá positivamente, ouvindo com atenção e respeito, e esse retorno te dará mais e mais segurança. Aí, é só agradecer os aplausos finais, e sentir-se feliz pelo seu bom desempenho!
 
Fonte: http://www.aberje.com.br/acervo_colunas_ver.asp?ID_COLUNA=213&ID_COLUNISTA=23
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